quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Você, pivô, vai se enfezar

Nessa altura nem importa quanto vai terminar o jogo (ou quanto terminou para quem lê depois do ocorrido), mas qualquer treinador preocupado em educar um pivô deveria estocar fitas e fitas de jogos do Chicago Bulls. 

A combinação Joakim Noah e Omer Asik é uma das coisas mais feias e bonitas ao mesmo tempo de se ver. 

Para os espetáculo e melhores momentos, fica difícil de apreciar o estrago que esses dois podem causar. Seus adversários vão  errar ganchos de esquerda, de direita, girando para fora ou para dentro. E não adiante tentar bater para dentro diante dessa chata e veloz resistência. Mas é encantador se você quiser apreciar as nuanças do jogo.

Cada um ao seu modo, eles são impossíveis de aturar. Noah é extremamente agitado em quadra, hiperativo. Um jogador com agilidade de um armador num esguio e cada vez mais forte (mas ainda leve) corpo de 2,10 m de altura, aguerrido, instintivo, lembra muito o nosso Anderson Varejão por vezes.  Está sempre fazendo caretas, falando com os companheiros ou sozinho. Ele é um agitador, sem violência.

(Nota curiosa: quando se preparava para entrar no draft da liga, ouvia muito essa comparação com o brasileiro e mostrava um certo espanto – considerava que era um atleta muito mais completo que o capixaba, embora não seja o caso, sem patriotada. No que ele realmente supera o outro cabeleira é em sua habilidade como passador no ataque. Sua envergadura também é superior. Mas o coração é o mesmo. Olho nos dois nas Olimpíadas de Londres 2012).

O branquelo Asik defende com outra natureza. Sóbrio, sólido, puro fundamento. Seu jogo de pés e movimentação lateral, impecáveis. É praticamente impossível que um jogador consiga iludi-lo a tirar os pés do chão: voltando de lesão, está certo, mas Tiago Splitter pôde testemunhar (beeeem) de perto isso. Quando pula, na cobertura do lado oposto, sua envergadura intimida, embora o atacante deva estar atento com uma coisa: o turco é tão sagaz que por vezes ele vai usar seu bração esticado apenas para interferir na mecânica de arremesso de seu oponente, sem exatamente buscar o toco, de modo que rapidamente gira para a sua cesta em busca do rebote. Podem reparar. E, por favor, reparem também se ele não é mudo ou sabe falar em inglês. Raramente o pivô abre a boca para dar um pio. 

O que deve enfezar e desconsolar os gigantes da liga é isso: quando sai um, entra o outro.

Basicamente, fica a dica: no mano-a-mano, seu pivô precisará de movimentos ofensivos muito refinados para conseguir se impor diante desse par. Ter um físico de Dwight Howard também não cai mal. 

Fora exceções, para pontuar lá embaixo, os grandalhões precisam da ajuda de seus companheiros e de uma boa movimentação de bola, coisa que não é problema para o Spurs, diga-se. Ou atacar a tábua ofensiva em busca de qualquer rebarba, como o brutamontes DeJuan Blair conseguiu vez ou outra nesta partida. 

Quem é quem entre Noah e Asik?

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Uma foto, mil palavras

Uma confissão: o VinteUm inveja fotógrafos. Imaginamos que seja muito mais satisfatório e realizador – mas de modo algum fácil – mostrar num  clique o que centenas de letras mal-ajambradas só podem sonhar em dizer. Quando os recursos muderrrnos entram em cena, melhor ainda para o senhor do clique.

Team Shaq acima, Team Barkley (que seria o de Splitter) abaixo

A contraposição, contraste de cor e humor de uma "turma" para a outra. Sensacional. Parece que Rubio e Lin podem contagiar um grupo de pessoas mesmo no primeiro (ou segundo, terceiro…) contato. Enquanto a turma de Kyrie Irving e John Wall… Gente, anime-se, a vida pode ser mais sorridente. 

Reforço de seleção

O Bayern de Munique tenta agora no basquete repetir seu sucesso dos campos. Poderio financeiro e apelo aos astros nacionais não faltam. Por isso, na hora de reforçar seu elenco, a instituição tem o direito de sonhar alto. Com gente de seleção. 

E aí não vai você negar que não pensou na contratação de Dirk Nowitzki, não? Tudo bem, a gente entende. 

Os bávaros realmente flertaram com a contratação do superastro durante o lo(u)caute da NBA. Mas nunca chegaram a se aproximar realmente de um acordo. Justo que é, Nowitzki não queria se comprometer com um clube nacional em detrimento dos outros. 

Mas, no caso deste post aqui, não é do Dirk que a gente está falando. A alternativa correta aqui seria: "Bastian Schweinsteiger".

O ex-meia-atacante-encrenqueiro-que-virou-um-dos-melhores-volantes-do-mundo-numa-equipe-ofensiva-de-fato, Bastian Schweinsteiger. Esse mesmo, o do futebol.

Com a palavra, o técnico Dirk Bauermann, da seleção nacional e do Bayern: "Com sete jogos para o final do campeonato, em março, conseguimos nossa classificação para a Bundesliga. Com cinco jogos para o fim, conseguimos o título. E Schweinsteiger poderia ter jogado para nós nesse período".



Era isso. O Bayern já havia assegurado a promoção para a elite do basquete nacional, e a ideia foi discutida entre os diretores. Seria uma forma de agradar o jogador, que é fã confesso do bola-ao-cesto e também uma tacada de marketing daquelas. 

Mas um temor por alguma lesão fez os devaneios se dissiparem rapidamente. "Foi uma decisão e bom senso. Apenas imagine se ele fosse derrubado num jogo ou se machucasse. Quem sabe o que seu oponente decidisse fazer um corta-luz particularmente bem duro. Havia muitos riscos imprevisíveis", disse o técnico.

Veja abaixo o meio-campista mostrando certo jeito com a bola laranja ao lado do armador Stefan Hamman:




Raulzinho em detalhes

Raulzinho ganha elogios por empenho defensivo

Um dos maiores pontos de interrogação em torno da composição da Seleção para os Jogos Olímpicos que se aproximam é a reserva de Marcelinho Huertas. Sabemos bem qual será o restante do time, ainda que não necessariamente concordemos com ele. São os mesmos de sempre.

É fato que Rúben Magnano valoriza, e muito, qualquer experiência na Liga ACB espanhola. Outro fato é que ele tem bons contatos por lá e sabe bem o que está se passando, mesmo que ainda não tenha viajado para ver a garotada de perto nesta temporada. 

Quem esteve por lá, na Copa do Rei, e pôde ver ao menos o nosso "Raul Neto" de perto foi o chapa e hiperprofissional Jonathan Givony, scout norte-americano que controla o Draft Express, com vasta experiência no assunto tendo avaliado todo tipo de competições, jogadores para os mais diversos mercados, inclusive o brasileiro. 

Nesta quinta-feira, Givony publicou uma análise bem detalhada sobre o nosso "Raul Neto", o Raulzinho, avaliando sua progressão pelo Lagun Aro  GBC, tendo como base não só a derrota da equipe para o Caja Laboral nas quartas de final do torneio como também mais de uma dúzia de VTs de partidas com o armador ex-Minas. 

Ele começa otimista assim: "Depois de atuações de certo modo pouco expressivas )ou decepcionantes)  em 2011, poucos esperavam que Raul Neto fosse emergir como um dos jovens jogadores mais produtivos na Europa em 2012. É exatamente o que ele fez jogando na ultracompetitiva ACB, jogando por um time candidato aos playoffs como se não bastasse, com 18 minutos por jogo."



Para ver na íntegra a análise compreensiva de Givony sobre o jogador, clique aqui

Abaixo, resumimos alguns pontos:

- "Atleticamente, está numa classe acima da maioria dos armadores europeus, mostrando uma velocidade impressionante em quadra aberta e um primeiro passo bem rápido. Isso, combinado com sua natureza agressiva, permite que ele crie suas jogadas excepcionalmente bem. Ele parece ter bastante liberdade  para fazer isso no sistema de Sito Alonso, com um plano de jogo de  muito volume ofensivo." (Alonso trabalhou com Ricky Rubio e Rudy Fernandez no Badalona e foge um pouco do padrão continental de algemas-primeiro-e-sempre).

- "Neto faz um bom trabalho criando arremessos de bom percentual no garrafão e indo para a linha de lance livre, sendo particularmente perigoso em transição. Ele possui um jogo de pés firme, habilidade no drible, além da habilidade de mudar de velocidade no pick and roll. Finaliza bem perto do aro, por vezes absorvendo contato, apesar de seu tamanho e impulsão medianos."

- "O arremesso de perímetro dele precisa ser trabalhando, e ele converteu apenas 12 de seus 41 chutes na temporada (29%). Ele converte ocasionalmente alguns arremessos de três com os pés plantados, mas tem muita dificuldade em chutar após o drible, sem mostrar a habilidade para converter na zona intermediária quando as defesas fecham o garrafão."

- "Como armador, ele mostra claras forças e fraquezas, De um lado, é um jogador criativo e confiante e pode achar um companheiro livre em infiltrações sem egoísmo. Por outro lado, ele não tem consistência alguma na hora de tomar decisões com a bola, driblando em excesso, de modo descuidado, e tentando fazer jogadas espetaculares, que é algo que deve melhorar com mais experiência e maturidade."

- "Defensivamente, ele vem se mostrando muito efetivo até agora, o que explica em parte como ele foi capaz de conseguir um papel importante na ACB nesta idade. Ele é extremamente agressivo em quadra, pressionando a bola de modo excelente e encarando seus oponentes sem medo. Tem pés rápidos e boas mãos, ajudando a se colocar no top 5 do ranking de roubos de bola por 40 minutos."

- "Considerando sua idade e o fato de que essa é sua primeira temporada jogando fora de seu país, é difícil não ficar impressionado pela valentia e competitividade que ele tem mostrado."

Ao absorver esse texto, é preciso notar que Givony observou Raulzinho sob o ponto de vista de um prospecto para a NBA, pensando longe sobre o seu desenvolvimento, não exatamente como ele estará em julho e agosto de 2012. 

Salivar sobre o potencial de um jogador é uma das armadilhas mais gostosas do basquete – recomenda-se a experiência a qualquer um. Fazer projeções, acompanhar o progresso dos garotos por anos e anos. Givony, já disse a ele, tem um emprego dos sonhos.

Agora, o quanto isso tem a ver com competir em uma Olimpíada em breve. O prospecto Raulzinho cresceu tanto assim nos últimos meses e está pronto para dar o merecido descanso a Huertas? Não seria o momento para experimentos, mas só de certezas. Na hora de montar seu time, é algo que Magnano vai ter de ponderar com cuidado. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O fantástico mundo de Ron Artest - Hack-a-Peace

Antes da criação do VinteUm, um projeto mais modesto, mas seguramente mais divertido era criar um blog todo voltado ao ala Ron Artest, do Los Angeles Lakers. 

Como já mencionado neste espaço, a leitura do site HoopsHype é obrigatória para qualquer fã de basquete, devido ao acúmulo absurdo de informação oferecido diariamente, com tweets e declarações dos jogadores, jornalistas, dirigentes e trechos de reportagem do mundo todo. As novelas das negociações de LeBron James e Carmelo Anthony foram certamente as líderes em manchetes nos últimos anos desse site agregador de conteúdo. Afinal, é o tipo de assunto que rende boato, respostas a boato e os boatos que, então, brotam desse processo. 
Mas há também um personagem que dia sim, dia não vai estar presente por lá, geralmente no pé dos boletins de rumores, puxando a fila dos faits divers. Ron Artest, senhoras e senhores. 
Sucessor natural de Dennis Rodman na prática do lunatismo – embora com personalidades e natureza completamente diferentes, num mano-a-mano que deve ser explorado em uma ocasião futura  –, Ron-Ron vai ganhar o seu próprio quadro aqui. Nos tempos em que a ordem é racionar na vida em sustentabilidade, o jogador não nos priva de sua condição de fonte de humor inesgotável.


Nem a cultura belicosa, de vitória a qualquer custo de Nate McMillan vai mexer com o Ron-Ron paz e amor desses tempos. De-sis-tam. (Baita medo de separar sílabas pela primeira vez depois de 23 anos).

Para quem não sabe, os Blazers tiveram a ousadia de adotar a medida de Hack-a-Metta-World-Peace na segunda-feira, espancando a paz mundial em quadra pra tentar ganhar alguns pontinhos no quarto período contra o Lakers. Nem deu certo. Nosso incompreendido herói tinha 51,1% de aproveitamento na temporada, suprindo a longa ausência de Shaq, mas acertou quatro de suas seis tentativas no quarto período.

"Nunca aconteceu antes, e foi maravilhoso", disse, todo orgulhoso, Artest. "Não estava planejando marcar mais pontos naquela partida A ideia era só jogar na defesa e passar a bola. Estava tranquilo com dois pontos, mas eles me deram seis. E eu, tipo, achei legal. Tenho seis pontos hoje. Isso me deixou muito feliz."

Convocados?

Vai ter mudança no uniforme brasileiro também? 

A Nike divulgou nesta terça-feira de Carnaval – péssimo timing, não?;) – o uniforme que o esquadrão favorito ao ouro em Londres-2012 vai usar. Muita gente de lá não gostou, e o VinteUm também. Não dá para negar que o S losangonal tem um quê de Super-Homem, algo que vai agradar a Dwight Howard pelo menos. E… Em meio ao drama que vai cercar o corte de sete jogadores para definir o elenco de 12 do Coach K, já podemos carimbar as passagens de Kobe, LeBron, Deron e Durant, então? É bem curioso que faltem um Wade e um Chris Paul na imagem, dois atletas patrocinados pela marca, embora seja certo que os dois vão para as Olimpíadas também. É certo, né?

Agora fica a expectativa sobre qualquer novidade no uniforme brasileiro. A empresa, assim como faz no futebol, tem por frequência o costume de padronizara estilização seus uniformes em grandes eventos. Podiam derrubar aquele branco-nada-a-ver, não?

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Gilbert Arenas, idiotices e o final do livro

"Posso fazer coisas idiotas, mas não sou um idiota completo."
Gilbert Arenas
O desempregado armador tenta convencer os cartolas da NBA a lhe darem mais uma chance de jogar na liga. Treinando solitariamente em Los Angeles, ele já foi observado pelo gerente geral do Lakers, Mitch Kupchak, time que certamente precisa de mais um certinha para desafogar o ataque paupérrimo de Mike Brown. Mas qualquer negociação ainda parece distante. 
O ex-Hibachi precisa se desdobrar para provar ao establishment da liga que ainda é um jogador com potencial para render em quadra e que, talvez mais importante, não tenha se transformado realmente numa estupidez em pessoa. Ninguém vai querer apostar em alguém que possa defecar no tênis de um novato, ou levar armas de fogo para o vestiário, ou dissecar no Twitter o suposto plano falho de jogo de seu técnico, ou as poucas habilidades de seus parceiros, ou que esteja disposto a comprar briga com o primeiro crítico que surgir no Twitter, ou que...
Para não avacalhar tanto, lembramos que houve um dia em que Arenas era um adolescente – em idade biológica, frise-se – que andava de cidade em cidade, morando (mesmo!) no carro de seu pai, abandonado pela mãe, sem um tostão que fosse, em busca de um time colegial para treinar. Ter chegado aonde chegou, é uma grande história. Agora ele só precisa tratar de elaborar um final feliz para ela. 
Não perturbem Gilbert Arenas

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O troco para Deron

8

Foi contra Deron Williams e o New Jersey Nets que Jeremy Lin iniciou seu conto de fadas na NBA. Foi um jogo em que, pelo que se conta, a sensação do New York Knicks salvou seu emprego – nos Knickerbockers, que seja. Nesta segunda-feira, de volta ao Madison Square Garden, Williams, um all-star, não quis nem saber, então, na vitória do futuro clube do Brooklyn. Saiu para o atropelo ao anotar 38 pontos, matando oito bolas da linha de três pontos, um recorde na sua carreira e também a maior marca que um jogador já atingiu contra o atual time de Nova York. 

A derrota marcou a primeira partida do Knicks com Lin e Carmelo Anthony reunidos no quinteto inicial, uma química que será observada sob o olhar de cada pula existente em Manhattan. Lin teve mais uma grande partida, com 21 pontos, nove assistências, sete rebotes e quatro roubos de bola, mas sua equipe não acompanhou seu ritmo, tendo problemas na defesa para conter os tiros de fora dos Nets e também com um ataque um pouco travado – e as adições de Baron Davis e JR Smith pesam muito mais aqui. Que Melo precisa de tempo para se enquadrar em uma nova ordem, está claro já. Mas ele que se cuide. Nova-iorquinos, em tempos de disseminação online da informação sem parar, podem ser bem cruéis.

Deron foi excluído com seis faltas, mas ganhou moral com o chefe Jay-Z

(Splitter, só para constar)

Como dissemos, estamos voltando do mundo dos mortos correndo atrás do que aconteceu na última semana do basquete. Um dos pontos que mais despertava curiosidade era em que posição Tiago Splitter seria selecionado no "draft" realizado por Shaquille O'Neal e Charles Barkley para o jogo dos jovens emergentes da NBA em seu fim de semana de estrelas. 
Lesão poupa Splitter de jogar o All-Star game com os jovens garotos da liga
A despeito do catarinense já não ser mais nenhum jovem emergente coisa nenhuma no basquete internacional, joga em apenas seu segundo ano na liga, então era elegível para a palhaçada toda. 

Sabemos agora que o catarinense não vai poder participar da brincadeira, graças a sua desafortunada lesão na panturrilha (mais uma). 

Mas, a título de sadismo, o VinteUm queria saber de qualquer modo em que ponto o brasileiro foi selecionado – afinal, o Spurs não é o time com o melhor marketing do campeonato, e o próprio pivô não é do tipo de jogador que vai proporcionar aquele tipo de "melhor momento" que a liga gosta de vender. 

Num grupo de 20 selecionáveis, Splitter foi o 16º a ser escolhido, no time de Barkley, logo após do armador Norris Cole, do Miami Heat. Entre os pivôs selecionados antes do brasileiro, saíram Blake Griffin (1º), DeMarcus Cousins (4º), Greg Monroe (7º), Derrick Williams (8º) e Markieff Morris (9º).

Splitter foi, no fim, o último jogador a ser selecionado. Para evitar qualquer tipo de saia-justa, a liga decidiu distribuir os últimos quatro atletas disponíveis, e eles foram os novatos Brandon Knight, Kawhi Leonard, parcerido do brasileiro no Spurs, e Tristan Thompson, substituto de Varejão no Cavs, e o segundanista Evan Turner. 

Força, Brunoro



Um pouco fora do hábitat, passamos uma semana toda no Ginásio do Ibirapuera, aqui em São Paulo, acompanhando um quinhãozinho da elite do tênis no Brasil Open. 

Tentando contextualizar: era como se fosse um torneio de seleções masculinas de basquete com a presença de França, Canadá, Austrália, Porto Rico, Uruguai, Turquia. Algo nessa linha, tá?

Em uma semana de jogos, com ingressos variando de R$ 15,00 a R$ 100,00, foram vendidos mais de 45 mil bilhetes. Só no fim de semana de semifinais, final e Carnaval, foram mais de 19 mil. Boa parte deles com antecedência, sem saber se o número um do país Thomaz Bellucci participaria nessa fase decisiva. Bellucci, aliás, que não é nenhuma unanimidade entre os aficionados do esporte de raquetes. Isso tudo sem nenhuma divulgação maciça do marketing do evento. 

No ano passado, antes de viajar para o Pré-Olímpico de Mar del Plata, a Seleção de Magnano jogou com os portões abertos em ginásios muito mais modestos com os de A Hebraica e Paulistano, e nem assim conseguiu encher as arenas. 

Brasileiro gosta mais de tênis do que de basquete? Pratica mais tênis do que basquete?

(Pergunta realmente honesta sem nenhum tipo de ranço). 

Bem, não importando a resposta, na verdade, agora que o Juninho já está consolidado na escalação do Palmeiras, com a jornada olímpica (nem?) tão aguardada da Seleção praticamente toda programada, será que a turma do Brunoro vai fazer algo?

Quadra por quadra

Os meninos do Brasil no pódio


Deu na coluna de TV hoje da Folha. 

Que o confronto entre Flamengo e Corinthians, pelo segundo turno do Brasileirão 2011, representou a maior audiência do SporTV. 

Foram mais de 3,5 milhões de pessoas sintonizando o canal durante a partida, que reúne duas das torcidas mais inexpressivas do país. Que coisa incrível, né?

Tirando a obviedade da frente, chegamos ao UFC Rio, de agosto do ano passado, com o segundo melhor rendimento do "canal campeão" (deixa para eco: ão-ão-ão-ão…). Foram 2,4 milhões de pessoas pedindo sangue nessa parada. 

Em terceiro surge a vibrante Liga de Futsal, com Falcão engrandecendo o time do Santos no confronto decisivo com o Carlos Barbosa. Em quarto, praticamente num empate técnico vem a final da Liga Mundial de Vôlei, em julho, entre Brasil e Rússia. As duas atrações tiveram 2,2 milhões de espectadores.

Agora segure-se você. Sente na cadeira. Retire os objetos pontiagudos de um raio de uns 10 metros pelo menos, porque a coisa é braba e digna de síncope. O quinto lugar, galera, o quinto lugar. É. Do. Showbol. 

Que bom que o Brasil ganhou uma (nem) tão aguardada vaga olímpica neste período… Né?

Brasil brigará por medalha olímpica no showbol este ano. Ou não?

Por um triz

De volta ao mundo dos vivos, e vamos lá. 

O que pode acontecer em uma semana de afastamento de um blog de basquete?

Que um chinês formado em Harvard se tornaria o salvador do New York Knicks e um personagem superior até mesmo a Tim Tebow como coqueluche esportista-cultural da ainda sonhadora América? Ah, vá. 

O que dói em Ruben Magnano nestes dias?
Na verdade, o que tem valido aqui no QG do VinteUm são as dores na panturrilha, no pulso ou, vá lá, no corpo inteiro, na verdade, depois de uma semana de trabalho externo, capinando o jornalismo real. 

Mas todo blablabla tem seu fim. O que dói, mesmo, é a panturrilha de Tiago Splitter, o pulso de Anderson Varejão e o Nenê por completo. E não que queiramos nos gabar, mas estávamos rezando falando dia desses sobre o quão exigente está a atual temporada da NBA e o preço que seus jogadores podem pagar.

Num curtíssimo intervalo, um quarto de uma possível Seleção Brasileira pagou bem caro e à vista, com a lesão de três pivôs – embora por aqui não contemos com o Hilário de São Carlos para nada no que se refere a Londres-2012.

Isso preocupa, gente. Não é a primeira vez que escutamos essa história. Os três grandalhões estão toda hora flertando com a enfermaria e a fisioterapia. Seja por azar puro ou por avariação física mais séria, é um fato.

Como fica a Seleção? É o cataclisma?

E não é todo ano a mesma coisa? Sempre na dependência por seguros, boa vontade, que os astros se alinhem perfeitamente?

Que o Brasil depene de cinco jogadores para fazer qualquer coisa que preste? Que só deste jeito dá para fazer qualquer coisa que preste?

(Ignoremos a Argentina competitiva jogando só com Scola e Delfino, por favor. Ignoremos Porto Rico brigando sem Carlos Arroyo ou PJ Ramos também). 

Se for essa realmente a nossa realidade, que cada um arranje o seu santo predileto, então, porque a temporada da NBA nem da metade passou. Dá tempo de nossa brava gente se recuperar, retornar para a quadra e… Arrebentar, ou se arrebentar. 

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Observações sobre Liga Sorocabana x Flamengo

- Não consta nos arquivos do VinteUm o orçamento ou a folha salarial deste Flamengo, mas dá para imaginar que seja bem maior, não? Alguém aí arrisca dizer: o triplo, o quíntuplo? Em algum momento o técnico Gonzalo Garcia e sua diretoria vão responder sobre o que se passa com essa equipe, não? Não vai engrenar? Já teve muita temporada para jogar.

- A participação e envolvimento do público em Sorocaba foi algo animador mesmo. Apesar da derrota, espera-se que a emoção dos minutos finais gere aquela adrenalina viciante. Tal como São José, é mais uma cidade grande paulista que abraça o basquete, sem ter uma concorrência forte local no futebol.

Casa cheia em Sorocaba
- Gonzalo Garcia dessa vez foi corajoso ao ir para o crunch time sem utilizar Marcelinho Machado. Um movimento sem precedência na história do Flamengo?

- Marcelinho, aliás, que, pelo terceiro sábado de transmissão seguido, fez uma partida muito abaixo do que nos acostumamos vê-lo cumprir em quadras nacionais. Foram dez arremessos errados em 14 tentados. Foram três desperdícios de bola e apenas uma assistência. O Magnano está conferindo tudo isso?

- Boa parte do elenco da Liga Sorocabana podia trabalhar para perder alguns quilinhos, não? Nem sempre força bruta quer dizer força de fato no esporte, como Kevin Love e Novak Djokovic nos ensinam. Em especial, nesse caso, o pivô Mineiro, que jogou com muita energia, soube impor sua envergadura em quadra, protegendo o aro com empenho, brigando por rebotes. Um pouco mais de agilidade tornariam o jogador ainda mais eficaz e impertinente na defesa. Foi um jogo que nos explicou por que ele está entre os mais eficientes do torneio. Com 24 anos, tem muito o que evoluir ainda.

Mineiro foi bem na patrulha defensiva, mas poderia ser mais ágil
- Nem sempre o selo NBA diz maravilhas. Vendo o americano Jeff Trepagnier em ação neste domingo, é de se pensar como é possível que o norte-americano sustente média de 15 pontos por partida no campeonato. Pode ter sido apenas um jogo ruim, mas não é bom exemplo para ninguém em termos de forma física. 

- Todo o esforço da Liga Sorocabana para se manter no jogo, e um lapso imperdoável de seus jogadores custou uma última e valiosa chance pela vitória. Quando o americano baixinho Kenny Dawkins errou seu arremesso em flutuação, os pivôs da equipe paulista tiveram todo o tempo para forçar uma falta e parar o cronômetro com uns bons sete segundos de jogo, mas inexplicavelmente fugiram do contato.

- O visual mais carismático de todo o NBB pertence ao ala americano Chris Hayes, do Fla. Kammerichs que nos perdoe. 

O fantástico mundo de Ron Artest - Fashionista

Antes da criação do VinteUm, um projeto mais modesto, mas seguramente mais divertido era criar um blog todo voltado ao ala Ron Artest, do Los Angeles Lakers. 

Como já mencionado neste espaço, a leitura do site HoopsHype é obrigatória para qualquer fã de basquete, devido ao acúmulo absurdo de informação oferecido diariamente, com tweets e declarações dos jogadores, jornalistas, dirigentes e trechos de reportagem do mundo todo. As novelas das negociações de LeBron James e Carmelo Anthony foram certamente as líderes em manchetes nos últimos anos desse site agregador de conteúdo. Afinal, é o tipo de assunto que rende boato, respostas a boato e os boatos que, então, brotam desse processo. 
Mas há também um personagem que dia sim, dia não vai estar presente por lá, geralmente no pé dos boletins de rumores, puxando a fila dos faits divers. Ron Artest, senhoras e senhores. 
Sucessor natural de Dennis Rodman na prática do lunatismo – embora com personalidades e natureza completamente diferentes, num mano-a-mano que deve ser explorado em uma ocasião futura  –, Ron-Ron vai ganhar o seu próprio quadro aqui. Nos tempos em que a ordem é racionar na vida em sustentabilidade, o jogador não nos priva de sua condição de fonte de humor inesgotável.

Jeremy Lin ainda se veste mal, segundo Ron-Ron, mas fez 38 pontos contra o Lakers

Jeremy Lin isso, Jeremy Lin incrível, Jeremy Lin aquilo, Jeremy Lin, Jeremy Lin, Jeremy Lin. Está difícil pensar a NBA nesses dias sem olhar para o fenômeno  que virou o armador do New York Knicks. Mesmo Ron Artest não passaria incólume por essa, sendo arrastado de seu mundo da fantasia.

Justiça seja feita, Ron-Ron se manifestou maravilhado com o que vem acontecendo com esse filho de Taiwaneses em sua "área", NYC. "Não é normal ver um asiático-americano na NBA. E é ótimo porque os asiáticos-americanos jogando basquete na América toda, e quantos deles não querem jogar na NBA? Imagino que muitos. Vendo de fora, todo mundo está muito feliz por ele. É bom ver algo especial acontecer pela primeira vez. É como quando Yao chegou, ou Toni Kukoc chegou", viajou o ala do Lakers. 

Mas ele está preocupado se Lin está preparado, ou não, para curtir esse estrelato. Não necessariamente pela pressão psicológica, nem nenhuma bobagem dessas. "Falamos sobre ele e achamos que ele precisa de um corte de cabelo melhor. Não gosto daquele estilo. Você está em Nova York, a capital da moda. Mude seu corte de cabelo, ok? Você é uma estrela agora. Use uns óculos de sol. Óculos de sol, ok? Deixe de lado os óculos de nerd de Harvard. Use uns óculos de sol, ok? Com uma calça de couro. Mude seu estilo. É moda", aconselhou o homem que já foi a programa de TV trajado em um elegante e confortável samba-canção.

"Eu não visto calças de couro, mas ele deveria. Ele é o tipo de cara que deveria vestir calças de couro, uns sapatos bacanas, e mudar seu estilo. Você é Jeremy Lin, pelo amor de Deus. Saca o que estou dizendo? Saca? Deixe de lado a constituição, pare de ler o New York Times e comece a ler o Daily News. Ou o Newsday, esse aí. Tem de ter moral. Você está na New York City. Coloque seu boné para trás. Venha para o treino com sua calça larga e diga para eles que 'não está muito afim de treinar'. Treinar? Saca? Treinar? E use uma camisa do Iverson.  Saca? Venha treinar e acenda um cigarro. Acenda. 'Eu sou Jeremy Lin'. Saca?", terminou.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Há quantas anda Leandrinho

Finalizador, e olhe lá: Leandrinho encara um momento difícil em Toronto

Quando avaliou o título do Dallas Mavericks na temporada passada, o professor Paulo Murilo destacou com propriedade – e, imagino, um certo prazer – a opção do técnico Rick Carlisle por jogar com dois armadores, revezando Jason Kidd, Jason Terry e o espevitado JJ Barea nessas duas posições. Eram raros os momentos em que dois desse trio não estavam em quadra. Eram freqüentes os momentos em que dois deles dividiam a armação e o time de fato jogava com três alas-pivôs móveis, na medida em que podemos considerar na pessoa de Brian Cardinal alguém que detenha "mobilidade". Mas sem tergiversar. 

O braço direito de Carlisle, o mais Jim Carreys dos técnicos, era Dwane Casey, que hoje comanda o Toronto Raptors. Ainda tateando seu novo elenco, o americano tem testado as mais diversas combinações de jogadores, em busca de uma rotação ideal. Em janeiro, ele parece ter se convencido de que a dupla armação era a melhor saída, a despeito do controle de bola e do modo cerebral como o espanhol José Calderón encara o jogo, que podiam lhe dar a confiança de deixar as chaves do carro em uma só mão. 

Na hora de escolher um parceiro para Calderón, se o fã clube maginava que Leandrinho pudesse ser o eleito, veio o balde gelado na cabeça. Casey escalou o jovem Jerryd Bayless, 23, que estava se recuperando de uma lesão. Pior: Barbosa ainda viu seus minutos serem gradativamente cortados pelo treinador, mesmo com Andrea Bargnani no estaleiro. 

Mesmo mais experiente, nem como um segundo armador ele ganhou a confiança do treinador para ser aproveitado – aqui recuperamos todo o drama ao seu redor na época em que era utilizado como o armador reserva de Steve Nash sem muito resultado. Seu número de desperdícios de posse de bola é superior ao de assistências na temporada (1,6 contra 1,4, num regresso significativo). Improvável, então, que o Magnano possa encará-lo como uma alternativa para dar um desafogo/descanso a Huertas?

O que complica mais o quadro do brasileiro é também a redução de seu poderio ofensivo. Você pode apontar que ligeirinho ainda acumula 12 pontos por partida em 21,9 minutos de média. Mas, apesar do volume bem digno, sua eficiência já não é mais a mesma: o aproveitamento nos arremessos caiu para 42,5% (pior da carreira, igualado apenas ao ano em que passou a sentir a lesão no punho pelo Suns), de três pontos está em 33,3% (segundo pior, idem), graças a um início de fevereiro sofrível, em que não se adaptou a seu novo posto na rotação do time. E não que o desempenho de Bayless fosse uma coisa de outro mundo: 36,8% nos arremessos, mas 46,2% de três, com 16 pontos de média.

Nesta quarta, o jovem armador acabou saindo de quadra carregado com uma torção no tornozelo. Nenhum diagnóstico foi divulgado pelo clube. Como Casey vai se mexer para cobrir a ausência vai nos contar muito sobre  o status de Leandrinho na liga. 

Splitter não esquece e não esconde


"Não tive uma boa participação no Pré Olímpico. Não estou feliz com nada do que fiz, mas acontece. Todos os jogadores têm altos e baixos. Por isso, quero continuar bem e em um ritmo forte aqui no Spurs para chegar bem à Seleção"

Tiago Splitter, ao repórter Fabio Aleixo, do Lancenet
O catarinense não só é daqueles que dificilmente escapam do microfone (embora não o use para se autopromover), e costuma ir direto ao ponto. É, por isso, o melhor entrevistado de sua geração. O comportamento também ajuda a explicar muita coisa sobre o seu basquete e seu papel na Seleção.



Pé na estrada

Foi uma ótima semana online para o basquete brasileiro. 

Primeiro de tudo pelo lançamento do novo site do NBB, que pegou uma pitada de NBA.com aqui e outra de ACB.com ali para se reestruturar e oferecer um conteúdo que supera, e muito, o que temos visto em quadra, se relativizado com o que vemos lá fora. (Agora a CBB que se vire para dar um tapa em seu defasado portal… Que tal usar um ano de Olimpíada para isso, gente?).

Mas as boas novas não ficaram apenas no plano institucional. A tropa basqueteira na mídia (acreditem, eles sobrevivem!) saiu para a luta, rendendo ótimas entrevistas com Anderson Varejão e Tiago Splitter, em meio ao fuzuê da NBA, e a última coluna de Samara Felippo no Basketeria, sobre a rotina ao lado (ou não) de Leandrinho em Toronto. 

Natural que se fale com essas figuras sobre a Olimpíada que se aproxima. Mas, antes de pensar em Londres, há algo preocupante que linka as três histórias acima: a temporada opressora que o trio vive neste exato momento, uma tecla em que estamos batendo aqui há um tempo. 



Veja Splitter falando ao Fábio Aleixo, do Lancenet: "É uma loucura a quantidade de jogos que estamos tendo. É necessária uma maior rotação e isso ajuda a ter mais minutos em quadra.  É como jogar um Mundial em quatro meses. Não há tempo para descanso.Você joga em um dia e, no dia seguinte, ou temos outro jogo, ou viagem. Não existe treino. Tudo o que treinamos foi na pré-temporada. Qualquer mudança ou variação tática tem de ser feita ali na preleção antes de cada partida".

Agora a Samara: "O que acontece? Eles jogam, acabam de jogar e já vão direto pro aeroporto. Chegam de madrugada na outra cidade e dormem... Bom, eu acho. Normalmente, essas viagens acontecem quando é um jogo atrás do outro, mesmo que tenha um dia "off" (dia que não se faz nada) eles ficam porque já vão para outra cidade. Geralmente dura em torno de seis, sete dias fora".

O Anderson não toca exatamente no assunto das viagens com Daniele Rocha, do Globo Esporte.com, mas está tudo interligado: "Se conseguir um pódio logo na minha primeira Olimpíada, pelo amor de Deus!  Espero muito que aconteça. Este é um ano em que não se pode pensar em lesão. O que tenho que fazer é jogar, não fazer corpo mole porque e aí que você acaba se machucando. Vou trabalhar e espero que dê tudo certo. Um ano olímpico é um momento bom e tem momentos em que paro e penso nos Jogos. Mas é uma ansiedade que tenho que aprender a controlar.  Não posso ficar muito eufórico porque o foco primeiro é aqui na NBA".



Eles não estão convocados ainda, mas tudo indica que serão. E Splitter, Varejão e Leandrinho vêm todos de um 2011 atrapalhado por lesões. Por um lado, isso significa que eles tiveram menos desgaste no ano passado. Por outro, agora correm o risco de sobrecarga.

Splitter, todo baleado, está finalmente em grande forma, viu seus minutos subirem sem exageros, mas também joga  em um time que tem mais chances de ir longe nos playoffs. Leandrinho, que a gente não sabe se está devidamente recuperado de sua contusão (ex-?)crônica no pulso, ao menos vem sendo pouco utilizado pelo técnico Dwane Casey (apenas 21,9 minutos). Varejão é quem mais tempo de quadra tem e a gente sabe que ele não vai entrar em quadra sem deixar tudo o que tem até o final da partida. 

A maratona vale para todo mundo, claro, incluindo a Argentina de Ginóbili e Scola. Mas sabemos que o nosso técnico é um pouquinho mais exigente na hora dos treinos.  Quando Magnano receber essa rapaziada em junho, que se prepare: não será de se estranhar que eles estejam aos cacos e será preciso bom senso e saber dosar sua intensidade. 

O impacto do guardião Fabrício Melo


Fabrício (d) ajuda a encurralar um atacante na defesa mais sufocante do basquete universitário

Já tínhamos meio que certeza, né?

Vendo dois ou três jogos de Syracuse, pelo basquete universitário norte-americano, era notório o impacto do pivô Fabrício Melo para o sucesso da equipe. 

Gigante, ágil, ele é o guardião em uma defesa 2-3 sólida feito rocha. Posicionado logo à frente do aro, pronto para fazer uma cobertura mais que eficaz. 

"A posição mais importante em uma defesa por zona é a do pivô. Fab protege o garrafão e nos permite ser mais agressivos no perímetro, e ele é o olho de toda a defesa, falando e guiando todo mundo", afirmou o assistente técnico Mike Hopkins. 

O que a Sports Illustrated, em seu site, resolveu fazer foi quantificar o impacto das ações do mineiro de Juiz de Fora e do restante de seus companheiros. Louvado seja o biruta Luke Winn, que se dedicou à insana tarefa de assistir todas as posses de bola defensivas dos Laranjas em 15 jogos, computando o resultado de cada uma delas – se foi cesta, passe errado, desarme etc.

Presença constante defensiva do brasileiro

Vamos aos números:

- Fabrício é o defensor de Syracuse que mais se envolve em posses de bola, participando de 26,05% delas – seja contestando um arremesso ou efetivamente tocando na bola. Desta forma, é o mais ativo da equipe. 

- Fabrício força o erro de seus adversários em 5,6% das posses de bola.  Esses são números que não são exatamente computados nas estatísticas tradicionais de um jogo – roubar a bola não é a única forma de causar um erro. Com sua envergadura e agilidade, o brasileiro pode causar passes ou dribles errados, andadas, bolas presas, enfim, um caos. 

- Fabrício lidera a equipe toda em cargas ofensivas recebidas – são 17 até aqui, 11 a mais do que o segundo colocado, o ala CJ Fair.  "Digo ao Fab o tempo todo que uma carga é melhor do que um toco. Nós recebemos a bola, eles ganham uma falta, e o adversário fica reticente em partir para a cesta", afirma o técnico Jim Boeheim. 

Ouch! Essa é uma carga recebida por Melo


Luke Winn, no fim, afirma: "Tudo o que é  creditado a Melo nesse estudo vai aparecer numa planilha estatística básica, fazendo que ele seja grosseiramente subestimado nas métricas tradicionais. Olhando a planilha estatística da vitória por 73 a 66 sobre Marquette no dia 6 de janeiro, você não teria a ideia de que ele havia recebido quatro cargas só no primeiro tempo e havia causado mais de um quarto dos erros forçados pela defesa do time".

Numa defesa bem armada, composto jogadores muito, mas muito atléticos, o jovem pivô tem mais que dado conta do recado, ele se tornou essencial para o sistema. 

Na agenda de Fabrício Melo daqui para a frente, os pontos fundamentais agora são: se ele vai ter a disciplina para se manter bem na sala de aula – evitando futuras suspensões misteriosas – , se vai se manter em forma para e trabalhar  para progredir também no ataque, setor em que ainda é solenemente ignorado por seus armadores.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Varejão no All-Star: Recompensa... Ou quem se importa?

Agora imaginem Varejão causando num All-Star Game, defendendo como se valesse título
A paixão pelo basquete veio bem antes que se encaminhasse ao jornalismo. Mas uma vez formado, com diploma na mão (na verdade, ainda na secretaria da Cásper Líbero para ser retirado, santa preguiça), na hora de se pronunciar no VinteUm o compromisso pode ser informar, analisar, provocar, questionar, um monte de atividade, antes de chegarmos a "torcer", que é o que acontece

Existem diversos modos de se encarar a questão de imparcialidade no exercício da profissão, variando entre a idéia de se esforçar ao máximo para honrá-la, ou encarar a coisa toda como um objetivo impossível, inatingível. 

Paramos por aqui, já que está na linha fina aqui em cima: "Um pouco sobre basquete". Mas era preciso o preâmbulo antes de falar da campanha recente para emplacar Anderson Varejão no "All-Star Game" da NBA. 

Em vez de colocar, então, que estamos na torcida pela convocação do capixaba para o jogo festivo, vamos apenas dizer que seria ao menos interessante sua presença. 

Defesa, trombada, determinação, disciplina... Nada que combine muito com uma pelada
Convenhamos, o selo de "All-Star" vale como uma ratificação formal de um jogador – sua moral, status com o restante da liga etc. Claro que cola bem no currículo, mas, no fim, não diz muita coisa sobre o que realmente importa. 

É apenas um convite vip para uma pelada que só valoriza, no fim, realmente tudo que há de forjado ou bobo no marketing da NBA – e que não diz absolutamente nada sobre o que realmente importa . 

Varejão produz nesta temporada médias de 10,8 pontos e 11,8 rebotes, as melhores de sua carreira, mas nada disso devia importar. A contribuição que o cabeleira traz ao jogo não pode ser medida apenas em números (ainda mais numa temporada em que a falta de treino fez a média de pontos da liga despencar, sobrando assim mais e mais rebotes para quem é do ramo coletar). 

Dito isso, se Anderson for convocado, seria uma ótima oportunidade para os técnicos recompensarem todos aqueles operários que batalham para que as estrelas brilhem, darem um recado público de que "sim, nós nos importamos com vocês e não somos obrigados a apontar aqueles jogadores que deixariam os escritórios felizes da vida ainda que fulano seja um fominha desregulado da cabeça e possa me render uma gastrite daquelas daqui a um mês".

Joakim Noah, Bo Outlaw, Udonis Haslem, Dave Debusschere, Omer Asik, Bruce Bowen, Shane Battier, Raja Bell… Seria uma forma de homenagear essa cambada toda que não vende cartaz, mas que são essenciais para construir um time decente e homogêneo. 

Uma eventual exclusão do capixaba não deveria ser encarada, porém, como absurda, injusta ou o fim do mundo. Byron Scott sabe muito bem o valor de seu pivô, assim como mais da metade da liga que já tentou tirá-lo de Cleveland nas últimas temporadas.