terça-feira, 22 de maio de 2012

Draft: bom sinal para os brasileiros

Evan Turner e John Wall foram destaques no Combine de 2010

Saiu nesta terça-feira a lista de 60 jogadores convidados para o chamado “Draft Combine” da NBA, em Chicago, e os dois brasileiros inscritos no processo de recrutamento de novatos, Fabrício Melo e Scott Machado, estão inclusos nela.

Aí você pode fazer a conta: bem, são 60 chamados para o Combine, o mesmo número de vagas do Draft, e achar, então, que a dupla realmente está garantida. Não é bem assim.

Para Fabrício, a previsão no momento é a de que ele muito provavelmente esteja entre os 30 primeiros, aqueles que garantem contrato de cara. Ao passo que apenas um desastre nos treinos e entrevistas com as franquias faria o pivô de Juiz de Fora passar batido entre os 60 selecionados.

Machado, por outro lado, no momento é cotado como uma escolha de segunda rodada pelos jornalistas especializados e em constante contato com os tomadores de decisão da liga. 

No entanto, há muitos jogadores europeus que não marcarão presença em Chicago e  devem ocupar alguns postos do draft, especialmente na segunda gira. Entre eles: o grego Kostas Papanikolaou, que teve participação destacada na conquista da Euroliga pelo Olympiakos há algumas semanas, o tcheco Tomas Satoransky, ala-armador na mira dos scouts há anos, e o turco Furkan Aldemir, já um dos melhores reboteiros da Europa aos 21 anos e mais um prospecto para um país que tem uma nova geração de pivôs de dar medo. Desta forma, ainda há concorrência para o filho de brasileiros nascido nos EUA.

Sem contar que ainda há muito o que acontecer na preparação dos jovens atletas ainda, com muitos treinos particulares com as franquias sendo marcados por todo o país, nos quais os jogadores enfrentam concorrentes diretos de suas posições, são avaliados técnica e psicologicamente pelos cartolas e técnicos, e não raro as opiniões sobre os rapazes pode mudar para o bem ou para o mal.

Isso está por vir ainda, no entanto. Por enquanto, o convite para Chicago se configura como uma ótima notícia, claro, para a dupla. Principalmente para Machado.

domingo, 20 de maio de 2012

Playoffs NBA: O LeBron dos sonhos


Vai falar o quê do LeBron, agora?


O povo pediu, né?

E LeBron James entregou. Com uma atuação dominante, uma das melhores de sua carreira, o superastro do Miami Heat colocou todo o seu talento em prática para livrar o time da Flórida de uma tremenda enrascada contra o Indiana Pacers pelas semifinais do Leste.
Foram 40 pontos, 18 rebotes e nove assistências. Apenas quatro minutos de descanso. 

Afemaria.

“Senti que eu tinha que fazer tudo o que fosse preciso para vencer”, afirmou o ala, numa declaração que justifica seu esforço sobre-humano, mas que também nos leva a questionar justamente porque esse tipo de energia e determinação não está presente na maioria de suas apresentações.

Explicamos: ninguém precisa ser super-herói todo dia. Mas por vezes LeBron deixa a desejar em sua compostura em quadra, não necessariamente em termos de esforço. Ele joga duro, não há o que discutir. Só falta aqui e ali o espírito competitivo que algumas lendas da liga elevaram ao padrão esperado nos playoffs da liga.

Em um ginásio em polvorosa, como não era visto desde os tempos de Reggie Miller, no Estado que é considerado o coração do basquete norte-americano, o Pacers chegou a abrir uma vantagem de 10 pontos na terceira parcial, se aproximando de um triunfo que poderia ser um nocaute técnico contra os favoritos (e disparado) do Heat. Com a ajuda de um revigorado Dwyane Wade (30 pontos, 22 no segundo tempo), James jogou demais para empatar a série em 2 a 2.

Cabe agora ao Indiana reagir e tentar roubar mais uma vitória em Miami, sem se deixar abalar pela grande oportunidade perdida neste domingo. 

A LeBron e Wade, sobra um dia para respirar aliviado, mas pense conosco: para vencer por oito pontos, 101 a 93, sua equipe precisou de 70 pontos, 27 rebotes, 15 assistências, quatro tocos e três roubos de bola da dupla. São números absurdos, atordoantes, sim. Mas não dá para esperar que sejam repetidos a cada partida da série. Spoelstra ainda precisa encontrar meios de fazer o restante de seu elenco produzir. 

A verdadeira geração perdida


A Argentina sub-15, que permitiu apenas 30 pontos aos garotos brasileiros

A história realmente passou batida até este fim de semana, já que tudo o que se relacionava ao basquete brasileiro nos últimos dias parecia se referir ou aos homens convocados por Ruben Magnano, aos playoffs do NBB ou ao orçamento bizarro da confederação.

Enquanto isso, em Maldonado, no Uruguai, um apanhado de garotos do país penava duramente no Sul-Americano sub-15. Agora sabemos que eles terminaram com o quarto lugar no torneio. Isso porque perderam do Chile por 64 a 61 neste sábado, depois de terem levado surras impactantes contra Uruguai (67 a 46) e Argentina (73 a 30!!!!!!!!).

Os placares realmente assustam. Bate a tentação de afirmar que temos aqui uma geração perdida. Ainda mais considerando que, desta forma, eles estão fora da Copa América e do Mundial de sua categoria.

Mas aí você tem de respirar um pouco e tentar enxergar as coisas de outro ponto. Estamos falando de rapazes sub-15. Um dos atletas convocados, vindo de Franca, tem 13 anos. Quem está perdido aqui? Se a CBB e clubes se esforçarem, ninguém.

Realmente fica bem complicado de fazer qualquer julgamento sobre jogadores desta idade. Na verdade, aqui no QG 21 isso está proibido. Nem sabemos quantos desse grupo querem realmente seguir no esporte e o quão longe podem ir. Um resultado catastrófico desses pode marcar suas precoces carreiras de forma irrecuperável – mas isso só se o basquete nacional assim permitir, oras.

Por isso, não só ao nosso diretor de seleções, Vanderlei Mazzuchini, o administrador Otávio Troyano e os técnicos envolvidos na preparação específica destes rapazes pra o Sul-Americano, mas como a todos envolvidos na educação (importante, não?) e desenvolvimento de qualquer grupo de garotos esportistas brasileiros, cabe neste momento uma pausa para reflexão. O caminho que estamos seguindo é o correto e o único que podem seguir? Que alternativas podem buscar? O quanto destas alternativas depende de vocês?

Para Vanderlei e a CBB, vale a seguinte ponderação: mais vale cuidar da naturalização de contingente para Magnano trabalhar, ou cuidar de uma geração que está começando agora sua carreira internacional?

Quando falamos de CBB, por favor: tanto faz o representante aqui, incompetentes que são/foram. Incompetentes, não há o que dizer, diante dos seguidos fracassos continentais. Seja o atual mandatário, que, pelo visto, não consegue elaborar uma só declaração sensata, ou um grego que nos foi entregue como um presente intragável no passado e que, pelos ventos que sentimos soprando cada vez mais fortes nas últimas semanas, sonha em voltar. Tenha dó. 

E tenham dó desta molecada, cujo único laço com as mazelas do basquete nacional é a condição de vítima. De geração perdida, só apenas a nossa cartolagem. 

sábado, 19 de maio de 2012

MJ x MJ

Tarde de sábado preguiçosa antes da final da Liga dos Campeões, porque se vê futebol aqui no QG 21 também, me deixa, mas dedilhando controle remoto dá para estacionar um pouco na MTV com um top 10 de clipes com participação de atleta.

O Raí, no auge dos dias de garanhão nacional, estrelando o vídeo do Kid Abelha era barbada. Mas e o que mais? Falamos aqui que na certa teria algum basqueteiro na parada. 

Toma, então:

Magic Johnson como um serviçal do imperador egípcio Eddie Murphy, soando o gongo até Michael Jackson entrar em cena. Tudo surreal assim.


 


 -  Shaquille O’Neal como o péssimo rapper que era, num clipe de ainda pior qualidade:


 - E a cereja do bolo, um duelo de MJs – porque é claro que a indústria cultural do não poderia seguir em frente sem um encontro dos astros –, com Jackson tendo mais sucesso ensinando Jordan a dançar do que o contrário no basquete. Vale ver o clipe até o fim, com dois astros bem-humorados em 1991, ainda distante da turbulência futura:

 

Reggae boy

Roy Hibbert quis ser jamaicano, mas só por um tempo
Se eu soubesse que, dois anos atrás, não teria jogado pelo Team Jamaica, mas quem poderia imaginar que Dwight Howard e LaMarcus Aldridge estariam lesionados sendo da minha posição?
Roy Hibbert
Assim... não é meio que uma palhaçada o comentário do gigantão do Indiana Pacers? Ah, quem poderia imaginar, né? Não teria feito essa bobagem de ter jogado pela Jamaica, né? Mesmo que já tivesse defendido os EUA num selecionado que naufragou no Pan do Rio em 2007. (Quem lembra? Eric Maynor, DJ White, Wayne Ellington foram os outros nomes de NBA que vieram jogar por aqui quando universitários).

O cunhado do sobrinho de um tio casado com alguém de nacionalidade X pode manifestar interesse em jogar um torneio de verão no Caribe, e fica tudo bem, galera. Que compromisso, que motivação, que envolvimento com o país? Não importa, como o caso de Bo McCalebb deixa bem claro.

Ou o namoro entre JaVale McGee e as Filipinas, por exemplo. Como? Isso aí. As Filipinas já têm um pivô norte-americano, Marcus Douthit, de 32 anos, que chegou a ser draftado pelo Lakers junto de Sasha Vujacic, mas fez carreira fora da NBA. Agora querem outro, e só porque o JaValator se destacou em um jogo de exibição (leia de novo: jogo de exibição) no país asiático durante o loucaute – ele fez planking em quadra, deu suas enterradas absurdas, e... Oras, que seja filipino, então.

É nessa direção que aponta o basquete de seleções hoje com o Laissez faire, laissez passer da Fiba nas últimas décadas.

A Espanha contrata o Ibaka. A gente contrata o Larry, como revelou a Hortência. E rumbora nesse determinismo: “pois as coisas são assim”. Se ao menos o Hibbert soubesse...

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A sorte planejada

Tony Parker e George Hill, ex-companheiros de San Antonio
O John Hollinger, nerd supremo da ESPN, opina aqui que R.C. Buford deveria ter sido eleito o Executivo do Ano na temporada 2011-2012 da NBA. Considerando as contratações precisas e baratas de Kawhi Leonard, Danny Green, Boris Diaw, Stephen Jackson e manutenção de uma cultura vencedora, mas que muitos imaginavam que estava a beira do fim, faz sentido. Apoiado.


No fim, o prêmio na vida real foi para Larry Bird, o arquiteto do Indiana Pacers. Num momento em que sua equipe está na frente de modo inesperado em série contra o poderoso Miami Heat, não seria boa ideia questionar o trabalho de Bird, ir contra a maré. E desta vez nem vamos, mesmo. Porque, a bem da verdade, os dois foram brilhantes na montagem de seus times e, de certa forma, seguiram a mesma receita – com a diferença de que o time texano tem muito mais star power em Parker, Manu e Duncan.

Tanto Buford como o Jesus de Boston apostaram num elenco vasto de opções para suportar uma temporada de desgaste absurdo. O banco de reservas dos técnicos Gregg Popovich e Frank Vogel está cheio de opções. A maioria dos jogadores tem raízes humildes. Dificilmente vão parecer deslumbrados na frente das câmeras. Não é acaso que o armador George Hill tenha saído de San Antonio para Indiana. Esse temperamento amistoso facilita a coisa para os treinadores na hora de tomar decisões. Duncan, Ginóbili e Parker não reclamaram quando foram poupados, seja num jogo inteiro ou por alguns minutos a mais. Pelo contrário, claro.

O resultado a gente vê em química dentro de quadra e jogadores mais descansados meeenos arrebentados para a reta final. Peguem os oito times ainda vivos na disputa e diga quem não tem nenhum problema grave de lesão? A não ser que vocês considerem Matt Bonner e Jeff Foster neste caso, terá justamente San Antonio e Indiana como resposta, sem contar o Lakers – e aí que a corda aperta para o Mike Brown.

Então ficamos assim: não atrapalha nada ter um pouco de sorte. Só é capaz de os empregados dessas duas franquias dizerem que a sorte também pode ser planejada. 

PS: Indiana Pacers, de Leandrinho, e San Antonio Spurs, de Tiago Splitter. No caso de os times irem para a final da NBA, eles podem jogar até o dia 26 de junho, data do primeiro amistoso dos convocados de Ruben Magnano (em São Carlos!!!). A apresentação deles, lembrando, está está marcada para o dia 10. Alguém vai torcer contra?

Silêncio dos inocentes



Eles dizem que a CBB não é nossa...


Olha, a essa altura o basqueteiro mais antenado já leu e ficou atordoado pelos questionamentos do Bala na Cesta a respeito da condução dos negócios financeiros de nossa CBB – eles falam que não são empresa pública, mas, enquanto dependerem da grana da Eletrobrás e do Governo e da torcida brasileira para existirem, a gente fala “nossa” mesmo.

Fui cobrado ontem na chincha – :) – sobre uma paulada na atual gestão pela eminente incapacidade de gerir seus recursos financeiros. Respondi na maior sinceridade que não havia muito o que acrescentar no interrogatório enviado a Carlos Nunes e amigos confederadosPareceria que iria apenas “surfar a onda” do cara que leva o basquete a ferro e fogo na internet brasileira há tempos.

O único talvez digno comentário que havia pensado a respeito era o seguinte: “Mesmo que justifique suas temerosas contas, a confederação já estava errada ao silenciar sobre o assunto. Ela deve, sim, explicações”. 

Mas eis que, hoje, numa nem tão pacata tarde de cesta-feira, o Bala vem no Twitter com as tardias respostas da entidade.

Tens problemas cardíacos? Hipertensão ou qualquer coisa do tipo?

És maior de 18 anos?

Estás sentado?

Pois avisamos.

“Eu não mexo com o balanço financeiro. Você fala com o departamento financeiro e eles te ajudam”, foi a pérola que o presidente da CBB, que tenta se reeleger, afirmou. Gente do céu.

E a entidade depois acrescenta: “Nossas notas explicativas estão no balanço financeiro. Nada além do que está ali será explicado. Nós não somos uma empresa pública”.

* * *   

O presidente da CBB, Carlos Nunes, não mexe com o balanço financeiro, não. Pra quê, né?

Sobre a CBB. Carlos Nunes vai se escorar como pode no argumento de que sua gestão encerrou o jejum olímpico da Seleção masculina. Com Magnano e tudo, parabéns, não há como fugir desse cumprimento. Agora: se uma confederação se resume a apenas isso? EVIDENTEMENTE que não.

Sem querer arrumar bodes expiatórios, mas agora mesmo nossa Seleçãozinha sub-15 está sofrendo um bocado em Maldonado, no Uruguai. Ganhamos por pouco, suado da Colômbia. Apanhamos dos donos da casa por 21 pontos em contagem digna do Peru, tendo feito apenas 46 pontos em 40 minutos. Nas semifinais, nos viremos contra a Argentina.

Avaliar jogos sub-15 já é complicado quando se está na arquibancada. Nessa idade, grosso modo, vale mais o potencial e a educação dos meninos do que a medalha de ouro. É preciso muito cuidado para comentar e para preparar o time – e condições para isso o técnico não teve.  Por outro lado, do ponto de vista administrativo, não dá para descolar esse torneio da imagem da CBB: se vale incensar que estar na Olimpíada é prova de sucesso, então... Sacaram a lógica, né?

Veja lá se isso é jeito de se compor uma gestão: trapalhadas das diretorias, com uma usina de gafes em público, os campeonatos prometidos que não saíram do papel, o precário desenvolvimento da modalidade e a falta até mesmo de comemorar e promover adequadamente a volta aos Jogos Olímpicos.

Sem contar os enigmas: vamos treinar no CT do Audax mesmo, e o que fazer com São Sebastião do Paraíso?, onde estão as ações de marketing da confederação? quem faz o quê na entidade e por que não vem a público?

Pensando bem...

E não é que é melhor o silêncio?

Ajudando a explicar a briga


Magnano anuncia os olímpicos brasileiros
Diante da aclamação generalizada sobre a convocação de Ruben Magnano, aqui neste QG 21 esquizofrênico, em que se conversa sozinho, ficamos nos perguntando e papeando: “Será que não dá pra parar de ser tão pessimista assim?”, “Oras, Nenê, Leandrinho e a turma toda estão lá, e você só manifesta preocupação?”, “Vápápqprapá!” e “Só lamentos!”.

Nem toda a paranoia do mundo no jornalismo, galera, é suficiente. Uma das sentenças mais legais sobre a profissão lembrada nesses dias veio nos obituários de Millor: “Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”. Não somos obrigados a bater em tudo, a criticar todos. Mas o prudente é lembrar sempre essa frase.

De todo modo, ficou esse desconforto no QG da Vila Guarani até que abrimos este artigo de Marcel de Souza em seu Databasket. Depois de lamentar o conteúdo inicial de seu sempre direto e objetivo texto, nos apegamos ao segundo trecho de modo um tanto egoísta, quando ele discute possíveis problemas de nosso selecionado olímpico – para, depois, treinador e estudioso que é, oferecer uma solução.

Marcel primeiro diz concordar plenamente com a convocação, com a justificativa que de que “conseguimos nossos dez melhores jogadores e ainda montamos uma base de futuros talentos que podem crescer muito com o decorrer dos anos”.

Maaaas... E era inevitável que viesse a contraposição aqui.

Antes de discutir as soluções propostas pelo ex-ala, que nos atentemos ao que nos preocupa:
“Antevejo uma luta fratricida por posições e tempo de jogo, que pode levar a nossa seleção a uma forte cisão de potencial com a fragmentação de partes que nunca formarão um todo, o qual represente a verdadeira força dessa equipe.”
Marcel lembra a cultura desenvolvida em nosso basquete de “‘os melhores jogam’ e os outros aceitam apenas a participação”, para aí indagar:
“Quem será o quinteto inicial? Quem jogará mais minutos na posição? Quem decidirá o jogo na última bola? Como Magnano decidirá quem joga mais e quem senta? Nos Treinos?”
E ele vai embora, passando pelos perigos de uma competitividade excessiva nos treinos:
"Quero lhes dizer que já vivi tudo isso em seleções que participei. Vi grandes jogadores ‘se pegando’ nos treinos até se machucar um deles, como também vi jogadores ‘tirarem o pé’ e evitarem o confronto. O prejuízo foi sempre o mesmo." 

Sinceramente, é exatamente essa linha de questionamento que deixa este bípede um pouco tenso. Já vimos o filme antes (e aqui peço a licença para falar sobre os cinco anos em que acompanhei a Seleção entre 2004 e 2008, com muitas das figuras de hoje presentes). 

Em Las Vegas, antes mesmo de Marquinhos se mandar, já havia um descontentamento evidente nos rostos de muitos jogadores dessa mesma base uma vez que Lula Ferreira havia definido sua rotação. Cinco anos passaram, e são basicamente os mesmos jogadores, trocando Nezinho por Larry e acrescentando Anderson Varejão. Cinco anos passaram, então dá para cravar nada: pode ser perfeitamente que tenham amadurecido e que Ruben Magnano possa ajudar muito nisso. 

Em Mar del Plata, o time se ajustou ao que o argentino pediu. Agora, para Londres, não custa lembrar que a adição de Leandrinho e Nenê significa diretamente a redução de minutos e, opa!, arremessos para o restante de uma base já firmada. Tenham isso em mente.  Caso opte por uma rotação básica de oito jogadores e uns pingados para o nono, o treinador campeão olímpico vai precisar de muita habilidade e autoridade, num amálgama dos dois que vamos tratar aqui de “autorobilidade”, para lidar com tantos egos em seu elenco – assim como Paulo Murilo, Marcel faz referência ao temperamento líderes da Seleção, qualificados como “cardeais”. 

Lembrem-se: mais arremessos e minutos pra Nenê, menos pro resto
Como solução, o articulista sugere o estabelecimento de duas rotações distintas, uma mais atlética e outra mais cerebral. No final do jogo, haveria uma combinação entre as formações com base no que foi apresentado e no que oferece a partida. Cada jogador saberia por cima seu tempo de jogo e o que se espera deles na quadra. 
Sei que isso pediria uma completa ruptura do atual sistema de jogo vigente e que os participantes teriam que abrir mão de sua vaidade nutrida em seus clubes. Essa seria a única solução.”

É isso, gente. Essa é a briga que Magnano comprou na convocação desta quinta-feira.