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Os garotos agoram falam de igual para igual com o sereno Craig Sager :) |
Ao lidar com um time veterano, campeão, que vinha de 20 vitórias
seguidas e atropelando todo mundo que pintasse na frente, o jovem Oklahoma City
se viu obrigado a acelerar mais uma etapa de seu crescimento. Em uma semana.
O ex-clube de Seattle vem dando pequenos e
sólidos passos desde que selecionou Kevin Durant na posição número dois do
Draft de 2007 – e, sim, já faz tanto tempo assim.
Russell Westrbook era um projeto de longo
prazo, cujas últimas etapas ainda estão em andamento.
James Harden precisava se soltar mais em quadra
atleticamente, acreditar em suas capacidades, sem se esconder atrás da dupla
que era o carro-chefe da equipe.
Serge Ibaka ficou algum tempo na Espanha até
chegar e demorou um pouco para refinar seu jogo ofensivamente, algo que aconteceu
com mais rapidez a partir do momento em que Jeff Green foi despachado para
Boston em troca de Kendrick Perkins.
E, Perk, agora com o joelho firme e entrosado,
era o homem certo para, ao menos, atrapalhar a vida de Bynum, Gasol ou qualquer
gigante com quem eles se deparassem.
Monitorando tudo isso estava Scott Brooks, um
experiente e viajado armador na liga, que nunca teve um papel protagonista em
quadra, mas que era uma promessa como treinador principal. O problema? Era sua
primeira vez no emprego.
Para arranjar tudo isso levou tempo e se fez
aos poucos, sob a supervisão de Sam Presti.
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Jeff Green e Durant, a dupla-sensação do finaldo Supersonics em 2007 |
Perdendo por 2 a 0 a final do Oeste para um
Spurs empolgadíssimo, tempo era justamente o que não havia dessa vez, a não ser
que o time se contentasse com a segunda eliminação seguida nessa fase. Hoje,
com um 3 a 2 de vantagem, está claro que não passava esse pensamento pela
cabeça da turma de Durant.
Com KD, Wess e Hardy (eles são todos
chapinhas), poder de fogo não faltava para o Thunder. Contra o Spurs, porém,
eles precisavam de mais. E não é que Derek Fisher pudesse se transformar em um
cestinha de 15 pontos por partida essa altura da vida.
A solução encontrada foi simples, mas
significativa para uma equipe que somava pouquíssimas assistências: eles
começaram a, de certo modo, imitar o que testemunhavam do outro lado da quadra,
movendo a bola sem parar, de um lado para o outro, tentando desestabilizar a
defesa texana.
Durant é um craque, a máquina de fazer pontos
mais letal da liga hoje, mas ainda lhe faltava mais criatividade e
assertividade em seus passes. De repente, ele começa a se revelar nesse
sentido. Assim como Westbrook, que enfim aplacou sua teimosia (uma
característica que nem sempre deve ser negada) e percebeu que até para ele
alguns melhores arremessos eram gerados a partir de uma movimentação mais
frequente.
Num grupo tão unido – cada dia é a casa de um
que recebe a turma toda, desde os astros até os reservas, considerando que em
Oklahoma City não estão as maiores tentações da América –, esse gesto final por
parte da dupla encheu o restante de confiança. Ibaka acertou todos os seus 11
arremessos no jogo 4. Perkins, enfim, justificou a confiança que tem em seu
ganchinho no centro do garrafão. Sefolosha (re)descobriu suas habildades
ofensivas.
“Temos esses caras que são os melhores no
planeta em ir para a cesta, mas as equipes tentam tirar isso de nós, então
temos de tomar a decisão certa com a bola. É um equilíbrio tênue entre ser
agressivo e tentar pontuar, algo que precisamos e a toda hora, mas também fazer
as jogadas certas. Estamos fazendo as jogadas certas nos últimos dois jogos”,
avaliou Nick Collison, fonte predileta dos setoristas.
E aí que o Spurs agora já não tem de cuidar
“só” (e bota aspa nisso) de três cestinhas daqueles. O perigo se espalhou por
toda a quadra, o que, por ironia, era justamente sua principal virtude, e algo
que no momento se evaporou.
E como?
* * *
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Sefolosha se redescobre como canivete suíço, servindo pra defender e atacar também |
Sefolosha, o nome de canivete suíço mais
improvável, encontrou um jeito de desacelerar Tony Parker. Essa, aliás, foi uma
opção por parte de Brooks que evoca os tempos de batalha entre Suns e Spurs nos
playoffs. Um dos defensores mais qualificados a atazanar o francês era o Shawn
“Matrix” Marion. (Também nos mostra que Westbrook, que é maior e tão explosivo
quanto Parker, ainda não tem a disciplina necessária para ser um carrapato
confiável).
Além disso, os pivôs de Oklahoma têm gastado
alguns segundos a mais nos pick-and-rolls para fechar a porta na cara de
Parker, cientes também que podem se recuperar a tempo para se reaproximarem dos
lentos Boris Babacar Diaw-Riffiod (hehehe) e Duncan. Destaque aqui, aliás, para
a excelente série que vem cumprindo o veterano Nick Collison, com sua
movimentação defensiva impecável.
Nesse ponto, Tiago Splitter deveria ser mais
utilizado em conjunto com o ex de Eva Longoria, mas Gregg Popovich parece ter
perdido um poudo de confiança no brasileiro nessa reta final.
Com Parker contido, então, a quadra não abre
para Danny Green, Matt Bonner, Kawhi Leonard e Gary Neal acertarem a mão.
Vigiados mais de perto, acabou a magia – só Stephen Jackson, que vive numa
realidade vizinha, vem produzindo sem cair de rendimento. Para piorar, Perkins,
se não se carregar de faltas, consegue controlar Duncan no mano a mano. A bola,
então, não gira mais tanto, e os desperdícios de ataque sem nenhum arremesso
vão se apilhando.
Para quem, há uma semana, tinha em mãos o
grande favorito ao título, as coisas agora mudaram drasticamente, não,
Popovich? Nem mesmo num jogo em que Ginóbili teve uma atuação vintage e no qual
Westbrook somou seis turnovers e errou 15 de seus 24 arremessos, seu Spurs
conseguiu sair com a vitória diante de um rival que somou 22 assistências para
40 cestas de quadra. Foi a primeira vitória de um finalista de conferência fora
de casa.
Ainda em fase de crescimento, o Thunder parece
hoje aquele garoto que espicha uns bons centímetros em poucos meses, mas sem
ficar desajeitado, descoordenado. Longe disso.
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