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Prontos para o duelo e a promoção |
Pode ter certeza de que, no ginásio da Universidade de Akron, ninguém
podia mais saber de Dirk Nowitzki. Provavelmente ninguém podia, na verdade,
sequer ouvir uma palavra ou qualquer referência alemã. Foi em meados de junho,
julho do ano passado, quando LeBron James estava recebendo um convidado
especial em sua cidade natal: ele e Kevin Durant resolveram treinar juntos
naquela que o astro do Miami Heat chama de “Hell Week”, uma semana infernal
para os dois alas.
Durant, na final do Oeste, e LeBron, na grande decisão, haviam
acabado de ser atropelados nos playoffs pelo inspirado e surpreendentemente
aguerrido Dallas Mavericks, na redenção de Nowitzki e de mais de meio time.
“Estávamos chateados pelas eliminações. Então um empurrou o outro a
cada dia nessa semana que chamamos de “semana do inferno”. E eu nos imaginei
chegando nesse ponto. Como disse, estou feliz por ele, por ter conseguido
chegar às finais e quero ver como será enfrentá-lo”, disse James.
Pois é. Os marqueteiros da NBA não devem estar se aguentando com a
oportunidade de promover um duelo entre duas de suas principais estrelas, com a
expectativa de que seja apenas o início de uma longa rivalidade, daquelas que a
mídia norte-americana ama. A essa altura, só um “Kobe x LeBron” poderia ser
melhor.
Nas finais de conferência, tanto Durant como James mostraram que
podem evoluir sempre em quadra, apresentando diferentes e bem-vindas facetas
ofensivas, por exemplo. O ala do Thunder nunca passou tanto a bola, e bem, como
na virada para cima do Spurs, envolvendo seus companheiros e, ao mesmo tempo,
conseguindo melhores arremessos, já que seus defensores deveriam se preocupar
com outros movimentos além dos milhares que ele tem com a bola. Já LeBron fez o
que se pedia há anos: esquecer um pouco os tiros de perímetro e operar mais
próximo ao garrafão, área em que seus “talentos” podem ser devastadores.
Para as finais, ainda não sabemos qual será a abordagem dos técnicos
Scott Brooks e Erik Spoelstra. Se eles vão colocar seus astros num embate
direto e constante entre ataque e defesa. Se vão escalar Sefolosha e Battier na
marcação do cestinha oponente. Ou se vão intercalar isso.
Ambos os alas têm responsabilidades enormes no ataque, embora não
joguem sozinhos, claro. Dar a LeBron ou a Durant a missão de marcar o outro,
durante 40 e poucos minutos, no desfecho de uma temporada excruciante, talvez
seja loucura e pedir demais.
Spoelstra teria uma leve e suposta vantagem, a meu ver: seu astro já
é um defensor de mão cheia, muito mais disciplinado e preparado que Durant, e
está habituado a esse nível de carga. Contudo, lidar em sequência com Carmelo
Anthony, Danny Granger e um Paul Pierce por sete jogos na final do Leste foi
uma dureza que só. Há limites para qualquer super-atleta.
A final também não vai se resumir a esse duelo, e longe disso.
Harden, Westbrook, Wade, Bosh, Ibaka, Perkins, Haslem, Chalmers, Fisher: há
muitas alternativas para serem exploradas no jogo de xadrez entre os
treinadores.
Não vai faltar história para o marketing da liga, independentemente
de quem ganhar. O certo é que, por mais proveitosa que tenha sido o encontro
dos dois no ano passado, nenhum deles quer reviver neste mês nada que seja
parecido com o inferno.
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