Kevin Durant
terminou a série contra o Spurs com 5,2 assistências por jogo, algo impensável
há duas semanas. É praticamente o dobro do que ele produziu durante a temporada
regular. Aprendeu a dosar seus esforços, aos 23 anos. Mesma idade de Russell
Westbrook e Serge Ibaka, que também vão evoluindo a cada temporada. Fora isso, a barba mais legal
do esporte esconde que James Harden é ainda mais jovem, creiam. Só 22 anos.
Acabaram de
eliminar um time no auge, que havia vencido 20 partidas seguidas, um time com o
"DNA de campeão" almejado por Erik Spoelstra em seu artificial Miami
Heat. Antes, haviam passado pelo Mavs de Dirk e o Lakers de Kobe. Primeira vez que uma equipe elimina os últimos três campeões de conferência assim em seqüência.
Então a lógica nos
empurra a dizer, então, que eles estão preparados para dominar a liga nos
próximos anos, e o raciocínio, técnico, é facilmente justificável, fácil de
apontar. (Antes de pensar em dinastia, porém, vamos ver o que eles fazem na
final contra o vencedor do Leste – não serão duelos fáceis).
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Quinteto inicial para cultivar, admirar, mas para apreciar em pouco tempo? |
O problema, e
sempre tem um problema, para concretizar esse potencial é o Lakers.
Tá loco? O Lakers?
Sabe a idade do Kobe? A do Gasol? Gosta assim do Steve Blake?
Calma. Que a gente
explica. Mas é o Lakers, sim.
Como consequência
direta do locaute e da definição de um novo acordo de gestão da liga, a NBA de hoje
e do futuro próximo vai exigir um equilíbrio cada vez mais consciente entre
talento e finanças.
Enciumados com o sucesso contínuo do Lakers – a maioria dos
proprietários insurgentes tinham a franquia californiana como alvo durante seus
protestos, o que ficou claro no veto conseguinte à negociação de Chris Paul –,
os donos criaram uma série de entraves econômicos para supostamente combater,
basicamente, na cabeça deles, os angelinos.
Criaram uma série de cláusulas e taxas que impediram os Busses de
torrar aos montes para contratar quem e quando quisessem. Como se o pastiche de
time que o Knicks, a franquia mais rica da liga, teve por mais de uma década
não servisse como o outro lado da moeda, gastando aos montes formando um time
que nem aos playoffs chegavam.
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Lakers pode ser um problema daqui a pouco. E Chris Paul tem a ver com isso, creiam |
Com multas que vão se tornar cada vez mais exorbitantes nos próximos
anos, para controlar os clubes que excedam o teto salarial, a NBA teria um
mecanismo para equilibrar as forças de seu mercado. Tanto um Lakers como um
Grizzlies teriam as mesmas chances de brigar pelo título. Bulls e Cavs. Heat e
Thunder.
Tudo bem bonito e esportivo na teoria e nas aparências. Mas é Justo?
Poder ser que Clay Bennett, dono do clube de Durant, agora pense
diferente. Para o próximo campeonato, está tudo certo no time. Para os
próximos? Segura. Harden e Ibaka terão seus vínculos de novatos, bem mais
baratos que a média, expirados. E o sucesso conferido agora vai pedir um cheque
mais generoso lá na frente.
Não falta interesse da parte do nerd Sam Presti em segurar essa
dupla, mantendo seu quarteto vigoroso com Durant e Westbrook, dupla que já tem
os salários máximos permitidos assegurados. Dureza a é adequar o orçamento no
menor mercado entre as 28 cidades que vão acolher partidas da NBA nas próximas
temporadas.
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O Thunder deve fazer de tudo para segurar Harden. Mas e o Ibaka? O Perk? O resto? |
Por exemplo: consideremos desde já que Harden vai ganhar algo perto
de um “max contract na hora de renovar. Isso já deixaria o time uma folha
salarial superior a US$ 17 milhões daqui a dois anos. Quase um teto salarial
inteiro. Aí entra na equação o ala-pivô “espanhol” (Coff! Coff!): Ibaka poderia
ganhar algo em torno de US$ 10 milhões anuais, o mesmo que DeAndre Jordan leva
no Clippers. Razoável, de acordo com o mercado. Pois esse salário custaria, com
as taxações, cerca de US$ 17 milhões. Pois o Thunder não teria apenas quatro
jogadores em sua folha de pagamento. Kendrick Perkins já custa relativamente
caro.
Thabo Sefolosha é outro titular que jajá vai pedir aumento. O
armador Eric Maynor também. Dá para argumentar que um time antenado como esse
vai encontrar substitutos facilmente. Para as peças complementares, seguramente
que sim. Para seus quatro prodígios, é bem mais difícil. Vão bancar tudo?
Lembrando: é o menor mercado da NBA, e até mesmo o Lakers já começou a cortar
custos com a dispensa de Fisher e Odom neste último campeonato.
Na ânsia de combater o poderio do Lakers e de grandes mercados, os donos
de clubes mais modestos podem ter dado um tiro no pé. Presti agora pode ser
punido por ter sido extremamente competente ao escolher esses quatro craques no
draft em anos consecutivos. Seu clube formou – e não “roubou” – quatro estrelas.
Daqui a dois anos, quando Harden e Ibaka obrigatoriamente estarão
jogando com novos contratos, pode não ter como segurar essas pratas da casa.
Kobe não seria o mesmo, Steve Blake tampouco. Mas o clube de L.A. ainda pode apostar em
Bynum ou, não custa especular, se reformular em torno de Dwight Howard. Em
2015, quiçá, se começar agora, a dinastia do Thunder poderia chegar ao fim. Tudo por
causa deles. Os gastões do Lakers.
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