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Alguns passinhos para a frente: em meio ao caos, Giovannoni destoou e foi eleito o MVP |
Na final de partida única do NBB4, quem sentiu o baque foi o São
José. Era esperado que os nervos estivessem pressionados, ainda mais com a
exposição em TV aberta, mas foi decepcionante ver o estado psicológico do time
em paulista, na real, em frangalhos.
Não dá para atirar a culpa para cima de uma tabela supostamente
injusta, com o clube privado de jogar em seus domínios, com uma só chance de
confirmar sua melhor campanha na fase regular pelo título. As regras eram
essas, sabidas há tempos. Considerando o início desastroso diante dos tricampeões de Brasília,
faltou ao time de Marrelli um melhor preparo emocional para o que estava por
vir, não há dúvida.
De sua parte, os candangos fizeram aquilo que lhes cabia: deram um
senhor empurrão nos adversários para jogá-los ladeira abaixo. Nezinho adiantou
sua marcação para o campo de ataque e cafungou no encalço de Fúlvio, sem deixar
o armador confortável. Seu velho rival não soube responder e se encolheu. Teve
dificuldade, inclusive, para efetuar seu primeiro
passe em alguns ataques. (Na hora, lembrei de suas partidas pela Seleção em
2008, com Moncho, em Atenas, em que penou barbaridades diante de Diamantidis,
Zisis e tropa de choque grega, mal passando da metade da quadra).
Sem ter seu condutor num jogo minimamente razoável, São José, então,
se atrapalhou todo em quadra. Murilo, melhor jogador do campeonato, não foi
acionado do modo como prefere, se viu obrigado a jogar de costas para a cesta –
algo que nunca foi o seu forte, uma fragilidade técnica (foram seis erros, com
um drible muito mole) que fica ainda mais exposta quando confrontado por
homens tão grandes como ele ou até maiores, caso de Alírio e Tischer.
Depois de algumas tentativas frustradas no primeiro quarto, o pivô passou a se omitir no ataque,
inclusive abrindo mão de alguns arremessos após ter apanhado o rebote ofensivo
(oito no jogo), passando a bola para a fora um tanto amedrontado.
O gaúcho só deslanchou no segundo tempo, quando o confronto já
estava praticamente decidido. Daí que seu double-double de 20 pontos e 14
rebotes parece um monstro de estatística, mas não conta de modo algum o que foi sua atuação. Nesta final, Murilo deu muita lenha para seus
críticos que o julgam “um leão para o NBB”, incapaz de produzir lá fora.
Do ponto de vista tático, há de se lamentar apenas a inacreditável
demora que São José e seu astro tiveram para entender que seria melhor que ele
investisse de frente para a cesta, aproveitando seu arranque, em vez de tentar
na trombada.
De modo geral, se o pick-and-roll estava anulado pela partida
sofrível de Fúlvio (lembrando: 0/7 nos três pontos, três assistências e cinco
erros, numa valoração de -3, argh), o time e o técnico falharam em se ajustar
no decorrer da partida. São José não encontrou outros meios de buscar a cesta, com jogadores
estagnados em quadra, para não dizer sorumbáticos.
O resultado? Uma chuva de tiros de três pontos, uma enxurrada de
falta de bom senso, da qual Brasília foi um cúmplice perfeito, diga-se. Juntos,
os times cometeram 49 bolas de longa distância, das quais apenas 11 foram
convertidas. Aproveitamento de 22,4% horrendo. Não há desculpas para um número
absurdo desses, então. Foram mais de 12 arremessos de três por quarto, o que dá
mais de 1 um arremesso de fora por minuto, o que dá mais ou menos a média de um
pombo sem asa a cada duas posses de bola. Ninguém joga deste jeito lá fora, a
não ser na liga de Porto Rico. E olhe lá.
São José contou apenas com a lucidez ofensiva de Dedé em alguns
momentos para não perder a partida logo nos primeiros 20 minutos. O ala foi dos
poucos que não se mostrou abalado e conseguiu criar boas oportunidades com sua
movimentação astuta, que equivaleu ao que Arthur fez do outro lado.
Mas era
muito pouco para fazer frente a Giovannoni e Alex neste sábado, dois
sujeitos que desta vez justificaram na quadra suas insígnias de cardeais (autoforjadas).
Guilherme , com justiça, foi eleito o melhor da final, por ter sido aquele que destoou em meio ao caos total, não apenas por ter acertado 11 de seus 15 arremessos, mas pelo modo como pensou o jogo. Nove de suas cestas saíram no perímetro
interno, o que demonstra consciência e concentração reforçadas do veterano
para a decisão: fez bom uso de seu jogo de pés para buscar os melhores e mais eficientes arremessos.
No fim, foi o mesmo jogo brasileiro de sempre, com os mesmos
caras de sempre vencendo no final. Tricampeões merecidos: nesse tipo de
jogo, por cá, parece que não há melhor, mesmo.
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